domingo, 27 de setembro de 2009

Conservação e revitalização de sub-bacias do São Francisco em MG

Mais de 19 milhões de reais serão investidos pela Codevasf nas ações de implantação de infra-estrutura para conservação e revitalização de 89 sub-bacias, componentes da bacia hidrográfica do rio São Francisco em Minas Gerais. O anúncio foi feito hoje (18/09) pelo superintendente regional da Codevasf em Minas Gerais, Anderson Chaves.

Segundo o dirigente, a execução dessas obras, que tem a contrapartida do governo mineiro, via Seapa, com pouco mais de 2 milhões de reais, faz parte do Programa de Revitalização da Bacia Hidrográfica do rio São Francisco, que o Ministério da Integração Nacional, por meio da Codevasf, está desenvolvendo em Minas desde 2004, com investimentos, até o momento, de mais de 300 milhões de reais. O montante deve ultrapassar meio bilhão de reais até o final de 2010.

De acordo com o plano de trabalho apresentado por Anderson Chaves, a Codevasf está autorizando a construção de 31.486 bacias de captação de água de enxurradas e de 999 quilômetros de terraços e ainda a proteção de 390 nascentes e de 474 quilômetros de cerca de matas de topo e ciliares, além de fazer a adequação de 162 quilômetros de estradas rurais. Todo esse trabalho abrange áreas de 89 municípios. Com essas ações, técnicos ambientais da Codevasf afirmam que ocorrerá uma significativa melhoria na qualidade e no aumento da quantidade de água na bacia do rio São Francisco.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Agropecuária no Vale

Os levantamentos indicam a existência de 35,5 milhões de ha aptos à agricultura de sequeiro e 30,3 milhões de ha irrigáveis no Vale. Considerando uma distância máxima de 60 km da fonte de água e uma elevação de até 120 m, o potencial irrigável cai para 8,1 milhões de ha; para distâncias e elevações menores, o potencial se reduz a 3,0 milhões de ha e, aliando-se os fatores restritivos (distância e elevação de água) aos usos múltiplos dos recursos hídricos do São Francisco, as possibilidades não ultrapassam 1,5 milhão de ha irrigáveis. Esse montante representa 4,2% das terras aptas à produção agrícola de sequeiro e 4,9% das terras aptas à irrigação. Verifica-se, assim, que as possibilidades de expansão das áreas aptas à agricultura de sequeiro, não computando aquelas aptas à pecuária e silvicultura, superaram bastante as possibilidades de expansão das áreas irrigáveis. Nesse sentido, a análise do potencial agrosilvopastoril em sequeiro do Vale recomenda o manejo integrado das terras e do sistema hidrográfico da Bacia.

Por outro lado, os grandes problemas financeiros que os investimentos em irrigação implicam e as dificuldades de recursos humanos para essa atividade, levam - sem menosprezar a evidente necessidade de irrigação, principalmente no centro e no norte do Vale - a reconhecer a prioridade no aproveitamento das potencialidades de crescimento em sequeiro, sobretudo nas áreas Alto São Francisco, Chapadões do Paracatu e Montes Claros-Januária, em Minas Gerais, e Guanambi-Paramirim, Oeste Baiano e Sobradinho, na Bahia.

Os estudos realizados pelo PLANVASF englobam uma área total de 691 mil km2 (69,1 milhões de ha). Tal área refere-se à totalidade do território dos municípios, mesmo daqueles parcialmente inseridos no Vale e não inclui áreas do Distrito Federal e de Goiás. Para aquela área assim definida, tem-se os seguintes usos: área de proteção ambiental de Piassabuçu, reserva ecológica do Raso da Catarina, região metropolitana de Belo Horizonte, águas internas e terras. As áreas de preservação atingem 0,1 milhão de ha (0,1% da área estudada); a área metropolitana de Belo Horizonte ocupa 0,4 milhão de ha (0,6%); as águas internas ocupam 0,6 milhões de ha (0,9%) e as terras propriamente ditas ocupam 68,0 milhões de ha (98,4%).

Esses estudos, no que se refere à aptidão das terras para agricultura de sequeiro, concluem que 52% (35,5 milhões de ha) têm aptidão - ocorrem 0,1 milhão de ha do grupo 1 (aptidão boa), 25,5 milhões de ha do grupo 2 (aptidão regular) e 9,9 milhões de ha do grupo 3, de aptidão restrita para as lavouras); cerca de 0,7% (0,4 milhão de ha do grupo 4) indicam utilização como pastagens plantadas, e os restantes 47,3% (32,1 milhões de ha) são inaptos, podendo ser utilizados como pastagem natural, florestamento ou manutenção de vegetação natural - terras do grupo 5, com um total de 20,8 milhões de ha podem ser utilizadas das seguintes formas: 13,3 milhões de ha com pastagem natural; 4,7 milhões de ha com silvicultura ou pastagem natural e 2,8 milhões de ha somente com silvicultura, e terras do grupo 6, com total de 11,3 milhões de ha, devem ser destinadas para a preservação da flora e fauna.

O vale do São Francisco, com seus 64 milhões de ha, possui cerca de 35,5 milhões de ha agricultáveis e 456 mil ha indicados para pastagens. Da área agricultável, 19 milhões são mais favoráveis, sendo que apenas 8 milhões de ha têm fácil acesso à água.

A pecuária, tradicionalmente conhecida como atividade produtora de carne e leite, desempenha importante papel no apoio à agricultura irrigada, pela produção de esterco. Esse adubo orgânico constitui um dos elementos nutritivos mais importantes em relação ao processo de produção conduzido nas áreas irrigadas. Como a agricultura irrigada vem sendo conduzida em reduzida articulação com explorações pastoris, a demanda de esterco, especialmente no Vale, é suprida de outras áreas, a custos elevados.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Rede vai unir centros de Petrolina e Juazeiro

Representantes do Itep e da Rede Nacional de Ensino reúnem-se, em Petrolina, para tratar da implantação de rede de internet de alta velocidade que beneficiará pesquisas no Vale.

Que o acesso à internet de alta velocidade facilita a troca de informações, todo mundo sabe. No entanto, quando essa agilidade envolve desenvolvimento, essa rapidez torna-se necessidade. Pensando nisso, o Instituto de Tecnologia de Pernambuco (Itep) e a Rede Nacional de Ensino e pesquisa (RNP) promovem, amanhã, em Petrolina, uma discussão sobre a implantação da Rede Metropolitana de Internet de Alta Velocidade nos municípios de Petrolina e Juazeiro (BA).

Beneficiando instituições de educação e pesquisa das duas cidades, a infraestrutura óptica terá capacidade de operar em velocidade de 1 Gbps. A intenção é conectar os principais centros de ensino e pesquisa, permitindo a troca de grande volume de informação (dados, voz e vídeo). Para tal, haverá uma integração com as Redes Comunitárias Metropolitanas para Educação e pesquisa (Redecomep), sistema de comunicação de alta velocidade, apoiado pelos Pontos de Presença da Rede Nacional de pesquisa (RNP).

“A região do Vale do São Francisco é um importante polo econômico devido à agricultura irrigada. Isso fez com que muitas redes educacionais aportassem na região, fomentando desenvolvimento tecnológico do tipo exportação. É primordial que haja uma comunicação ágil e eficaz entre os profissionais”, destaca o presidente do Itep, Frederico Montenegro.

O projeto propõe sustentabilidade às redes metropolitanas através da formação de consórcios entre as instituições conectadas, denomindas primárias ou secundárias. As primeiras são filiadas ao governo federal – como por exemplo a Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) – e as secundárias, não.

Após o início das operações, as parceiras tornam-se responsáveis pela manutenção da infraestrutura da rede. “Mesmo com o custo de manutenção, há um grande interesse dos dirigentes, pois são claras as dificuldades que enfrenam no dia a dia”, finaliza Montenegro. O investimento será definido após a formação dos consórcios. A expectativa é que o alcance da rede seja de 35 km.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Frutas do Vale do São Francisco terão selo de indicação geográfica


Até o fim do ano, as uvas e mangas produzidas no Vale do São Francisco receberão um selo de indicação de procedência geográfica. O registro foi concedido em meados deste mês pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi). É a primeira vez que uma fruta recebe esse tipo de identificação no Brasil.
O pedido de reconhecimento foi feito pela Univale, associação que representa mais de 90% dos produtores da região de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA). O objetivo é diferenciar as frutas produzidas no Semiárido nordestino. O submédio do Vale do São Francisco produziu 87% das mangas e 99% das uvas exportadas pelo Brasil no ano passado, o que representou cerca de US$ 200 milhões.
Os fruticultores buscam também estabelecer para a área um determinado padrão de qualidade, fixado pela própria Univale em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Segundo Maria Auxiliadora Lima, chefe de pesquisa da Embrapa Semiárido, as regras vão de cuidados com a produção a características finais da fruta, como coloração, tamanho e teor de açúcar. "A ideia é que só as melhores ganhem o direito de usar o selo."
De acordo com José Gualberto Almeida, presidente da Univale, inicialmente cerca de 30% das uvas e mangas do Vale devem receber a etiqueta de indicação de procedência por atender às exigências. "Queremos que, em breve, os consumidores não peçam frutas apenas, mas sim produtos feitos no Vale do São Francisco, por isso é fundamental investir na qualidade."
A Univale está agora se organizando para treinar os técnicos encarregados de avaliar os padrões de produção das fazendas. Também está sendo estudada a forma que terá esse selo de indicação geográfica.
Hoje, poucos alimentos e bebidas brasileiros têm o registro de indicação geográfica concedido pelo Inpi. É o caso dos vinhos do Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul, dos cafés do Cerrado Mineiro e da Alta Mogiana, em São Paulo, da cachaça de Paraty (RJ) e da carne dos pampas gaúchos.

Fenagri 2009 – Referência da hortifruticultura do Vale do São Francisco

A 20ª edição da Feira Nacional da Agricultura Irrigada (Fenagri) que este ano acontece de 15 a 18 de julho no Campus III da Universidade do Estado da Bahia - UNEB em Juazeiro, terá como tema “A Sustentabilidade na Hortifruticultura Irrigada do Vale do São Francisco – Cenários, Desafios e Perspectivas”. Como fonte de informação e divulgação das cadeias produtivas do agronegócio e das atividades culturais e econômicas local, a FENAGRI busca incentivar ações que intensifiquem o desenvolvimento da Agricultura Irrigada no Vale do São Francisco e em todo Brasil, através da valorização da cultura e sua integração. De acordo com o secretario de Turismo da Bahia, Domingos Leonelli a feira fomenta o turismo, diante da importância que o Vale tem hoje para o mercado mundial. “É importante que a agricultura alimente o turismo e o turismo alimente a agricultura. O Enoturismo hoje é uma realidade da região. É preciso agregar valor à produção, buscar conhecimento, novas tecnologias e inovação para o desenvolvimento do Vale do São Francisco”, ressaltou Leonelli. A Feira foi elaborada baseada em quatro novos conceitos, como o estímulo ao empreendedorismo, inovação tecnológica, negócios e difusão de conhecimento e tecnologia. O secretário de Agricultura de Juazeiro e coordenador do evento, Jairton Fraga explica que a Fenagri 2009 terá um formato profissionalizante. “Para este ano a feira pretende constituir-se num novo marco referencial de novidades tecnológicas que tornem o empreendimento agrícola mais produtivo, sustentável e socialmente mais justo. Mudamos também o local e o horário de funcionamento com o objetivo de resgatar o papel da feira que está diretamente ligado ao agronegócio”, evidenciou. As últimas novidades em produtos, tecnologias e serviços ligados a hortifruticultura serão apresentadas esse ano através de mini - cursos; visitas técnicas; rodada de negócios, Fórum de Logística, Seminário Internacional e Simpósio da Manga, reunindo os diversos segmentos do agronegócio, formados por lideranças empresariais; produtores rurais; técnicos; pesquisadores e instituições financeiras; locais, nacionais e internacionais. O evento é uma realização da Prefeitura Municipal de Juazeiro, da Associação Comercial Industrial e Agrícola de Juazeiro – ACIAJ, além de outros parceiros. A estimativa da organização é que durante os quatro dias a Fenagri receba um público de aproximadamente 60 mil pessoas e gere negócios na ordem de R$ 100 milhões.

Agricultores encontram saídas para a crise no Vale do São Francisco

A produção de frutas do Vale do São Francisco, concentrada especialmente em Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), tem sofrido com a crise mundial. Por conta do cenário negativo, importadores europeus e norte-americanos suspenderam as compras antecipadas que financiavam a produção. Sem o adiantamento, que chegava a R$ 300 milhões anuais, os fruticultores reduziram a safra deste ano e demitiram empregados.



O presidente da Câmara Setorial da Fruticultura de Juazeiro e produtor de uva desde 2003, Ivan Pinto da Costa, conta que muitas áreas de produção estavam paradas aguardando recursos para o plantio. "De novembro até o final de maio fazemos uma reforma no parreiral para preparar para a safra. Sem os recursos, deixamos muitas áreas paradas", destaca.

Apesar das dificuldades, Ivan conta que os produtores já estão mais confiantes por conta de soluções que foram apresentadas pelo governo e instituições. No último dia 3, uma reunião em Juazeiro trouxe mais otimismo. "A partir do encontro, ficou clara a possibilidade de renegociação das dívidas de custeio e investimento com o Banco do Brasil", disse Ivan da Costa. Desde o final de janeiro, os produtores já tinham conseguido a renegociação de dívidas no Banco do Nordeste.

Outra saída que já está valendo é uma linha de crédito para capital de giro das empresas que exportam frutas. São R$ 200 milhões disponíveis no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Quem tomar o empréstimo tem até três anos para quitar a dívida. "Essa ajuda só terá efeito se o Banco do Brasil realmente renegociar as dívidas, porque para ter acesso aos recursos do BNDES temos que fazê-lo por meio de um agente financeiro", explica.

"Além disso, nossa estratégia hoje é usar a informação para diminuir o risco do nosso negócio", diz Ivan. Segundo ele, foi solicitado na reunião que a Secretaria de Agricultura da Bahia disponibilizasse semanalmente informações sobre o mercado europeu e americano. "Se soubermos como os mercados estão caminhando teremos como direcionar melhor as nossas frutas, inclusive explorando mais o mercado interno".

O gestor local de projetos de fruticultura do Sebrae, Rinaldo Moraes, também destaca que a Instituição está trabalhando para dar soluções aos produtores. Acesso a feiras e apoio para formação de parcerias para acessar mercados alternativos, inclusive internamente, estão entre as oportunidades apresentadas pelo Sebrae.

O Vale do São Francisco é o maior exportador de manga e uva do Brasil. Da região são enviadas para o exterior 105 mil toneladas de manga e 60 mil toneladas de uva a cada ano.